1. Introdução
Meu afastamento da Fraternidade São Pio X não foi motivado por um “parecer teológico particular”, mas por um ato de prudência e de obediência à Igreja Católica Apostólica Romana, hoje governada pelo Papa Leão XIV, sucessor de São Pedro.
Diante das sagrações episcopais ocorridas no último 1º de julho, que são ilegítimas e, por enquanto, também duvidosas quanto à validade, bem como da subsequente declaração formal de cisma e da excomunhão automática, estendida pela Sé Apostólica também aos leigos que estiverem formalmente unidos à FSSPX, optei pela comunhão visível com a única Igreja de Cristo, afastando-me do lefebvrismo 45 dias antes da consumação do cisma.
O cerne do meu apostolado público, nestas últimas semanas, não tem sido a difusão de uma opinião pessoal, mas a defesa das posições oficiais da Igreja Católica: tenho procurado convencer meus irmãos e irmãs a também obedecerem ao Papa, pelo bem de suas próprias almas.
Diante da seriedade dos fatos, penso que o debate deveria ater-se aos fatos e aos documentos e decretos magisteriais — e não à minha pessoa.
2. O desmonte dos ataques pessoais contra mim
Se o conteúdo das minhas falas recentes é realmente tão errado e refutável, então por que o “fã-clube” da Fraternidade recorre à tática de “atacar o mensageiro”? Será para desviar a atenção do mérito dos assuntos?
Seja como for, refuto algumas distrações, com muita tranquilidade, sob argumentos objetivos.
2.1. A falácia da minha idade e do meu tempo de conversão
Muitos têm dito que minhas falas não são críveis, porque sou um católico leigo, jovem e oriundo das Testemunhas de Jeová.
Ora, isso é muito fácil de se resolver: há inúmeros clérigos e religiosos idosos, nascidos católicos, e com décadas de militância tradicionalista, que defendem a mesmíssima decisão que eu:
- Dom Josef Bisig, com seus companheiros da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP), também rompeu com a FSSPX, devido às sagrações ilegítimas de 1988, e até hoje seu movimento nunca voltou atrás;
- Dom Fernando Rifan, com seus companheiros da União Sacerdotal São João Maria Vianney, buscou a regularização e a comunhão visível com Roma, e assim tem permanecido;
- Dom Aulagnier, com seus companheiros do Instituto Bom Pastor (IBP), idem;
- Dom Gérard Calvet, e seus companheiros do Mosteiro de Le Barroux, idem;
- Cardeal Robert Sarah, tradicionalista conhecido, e fiel ao papa, também não apoia a decisão da FSSPX.
Por que a palavra dessas pessoas, que preenchem todos os requisitos de “currículo” exigidos pelos lefebvristas, é também descartada por eles?
Como se vê, o problema dessa bolha não é com a minha idade, nem com meu estado de vida, nem com meu tempo de conversão, mas apenas com o fato de eu não me submeter cegamente à FSSPX.
2.2. O elitismo espiritual e a “espiral de silêncio”
O recente caso do Dr. Taylor Marshall, que até “ontem” era tido como o maior influenciador leigo tradicionalista do mundo, também chama atenção. Ele também decidiu romper com a FSSPX, pelas novas sagrações, e passou a ser atacado por seus ex-defensores, por ser leigo e ex-protestante, o que escancara a mentalidade sectária do meio lefebvrista, que eu tenho denunciado.
A recente postagem, feita no “X” pelo Pe. Adam Chenal, que se identifica como ligado à FSSPX, afirmando que convertidos devem ser “isolados e silenciados em penitência”, evoca o elitismo de “sangue-puro” das literaturas de ficção. Trata-se de uma soberba hipócrita: quando o “convertido” usa a internet para apoiar, defender e promover o movimento lefebvrista, é celebrado; mas quando usa sua inteligência para apontar os erro da seita, deve ser mandado para o ostracismo, para “se penitenciar”.
Esse preceito ridículo, inventado pelo referido padre, insulta a inteligência das pessoas, e também a história da Igreja, que é composta por grandes santos que foram convertidos das falsas religiões.
2.3. A mentira do “interesse por fama”
Meu trabalho de comunicação alcança um nicho pequeno na internet (menos de 3 mil seguidores no Instagram, e menos de 5 mil no YouTube).
Isso não me gera nenhuma monetização, não altera em nada meu padrão de vida, e não custeia em nada o meu orçamento. O sustento da minha família provém exclusivamente do suor que minha esposa e eu derramamos em nossas profissões: ela, como analista de sistemas; eu, como advogado.
Não aufiro nenhum tipo de proveito material ao me indispor com a bolha lefebvrista. Pelo contrário, só perco tempo, dinheiro e energia. Mas, se o faço, é só por senso de dever, e porque estou convencido de que é útil para as almas das pessoas.
2.4. O famoso “devia estar rezando”
Por fim, ouço que eu deveria “estar rezando mais e falando menos”. Esta é a crítica mais boboca de todas, por um motivo muito simples: quem pode dizer que estou rezando pouco, se não conhece minha vida pessoal?
Comentadores de postagens de internet não têm os meios para saber da minha vida de oração, da minha vida sacramental, dos meus deveres de estado, da minha rotina penitencial etc.
É uma conclusão tola, alcançada sem conhecimento.
3. A legitimidade da minha atuação
A legitimidade da minha voz e do meu trabalho catequético e apologético se sustenta sobre bases justas e corretas.
3.1. A “folha de trabalho”
Fui criado por minha mãe e meus avós. Meu avô é um metalúrgico aposentado, de 86 anos de idade, oriundo de Murici/AL, que desde a pobreza conseguiu formar uma família numerosa. E ele sempre me ensinou, desde criança, que o melhor “lugar de fala” é a folha de serviços prestados, que ele sempre chamou de “folha de trabalho”.
Quanto a isso, só posso me alegrar. Não sou subcelebridade de internet. Pelo contrário. Meu apostolado gerou e gera frutos concretos no “balcão” da vida real. Sempre dei catequese, tanto a grupos de estudo quanto a pessoas individualmente consideradas, de forma sistemática. Sempre abri as portas da minha casa para quem quisesse falar comigo.
Conduzi pessoas reais à conversão, à religião católica e ao batismo válido.
Enquanto no meio lefebvrista, essa mesma atitude, de gastar-me, pessoalmente falando, sete dias por semana, a dar atenção às pessoas que pedem, sempre preencheu uma lacuna de cuidado pastoral que os próprios sacerdotes do meio não supriam. Dezenas de pessoas que estão lá hoje, e que até romperam toda e qualquer relação comigo (o que muito me magoa), não estariam lá sem minhas aulas, ligações, chamadas de vídeo, conversas incansáveis de WhatsApp, conselhos etc.
Portanto, nunca fui um “falador”.
3.2. A confirmação da Igreja
Esta folha de trabalho não é um ato isolado e voluntarista de rebeldia. Antes de conhecer o lefebvrismo, era contratado e assalariado de minha diocese, para lecionar Teologia para Leigos numa das maiores paróquias de minha cidade.
Além disso, fui utilizado como catequista, e também integrei um apostolado nacional, chefiado por um sacerdote tocantinense, voltado à conversão de protestantes.
Após cometer o erro de aderir ao lefebvrismo, o padrão se manteve: padres lefebvristas validaram meu trabalho, utilizando-me como professor de grupos de fieis, promovendo meus conteúdos e aparecendo publicamente comigo em aulas.
Por fim, agora que, por conta do cisma formal, e das excomunhões, retirei-me do movimento, e optei por voltar à plena comunhão visível da Igreja, estou novamente sendo apoiado e confirmado por párocos católicos, que inclusive têm aparecido comigo publicamente.
3.3. O direito divino do leigo ao apostolado
A Igreja Católica Apostólica Romana, em sua doutrina e legislação oficiais, reconhece o apostolado leigo como um direito e um dever, conferidos diretamente por Deus através dos sacramentos do Batismo e da Confirmação. e não como uma concessão clerical regulada por associações informais de padres irregulares.
Ou seja, a Igreja Romana, e sua Sé Apostólica, não me impõem restrições ou requisitos de mandato formais para a minha atividade de ensino leigo.
Portanto, se a própria Igreja, mater et magistra, me concede liberdade para atuar, por que os lefebvristas, muitos dos quais sequer estão mais na Igreja, pelo cisma e excomunhão, pensam que podem me impor barreiras ou requisitos por conta própria?
3.4. A especialização do trabalho
À crítica de que eu deveria “falar de outras religiões falsas em vez de focar na Fraternidade”, respondo com um raciocínio simples. Num time de futebol, um único jogador não pode ser, ao mesmo tempo, o goleiro, o zagueiro e o centroavante. Igualmente, a Igreja é um corpo, onde cada membro desempenha uma função estratégica.
Neste momento específico, por ter vivido no movimento lefebvrista, e conhecido intimamente seus fundamentos, engrenagens, erros e frutos (bons e maus), sou útil para alertar as almas sobre a urgência espiritual e jurídica deste cisma, pois falo de maneira especializada e embasada.
4. Conclusão
Em suma, o teor dos ataques que recebo evidenciam o fracasso completo dos detratores. Quem não pode responder aos decretos inafastáveis que são da Sé Apostólica (e não meus), tenta destruir a reputação do mensageiro que os divulga.
Mas não faz mal. Como eles próprios têm dito, eu entendo um pouquinho sobre seitas, e é por isso que permaneço firme, amparado pela doutrina da Igreja, sustentado por trabalhos seculares, fortalecido pela vida de oração e com a consciência em paz diante do tribunal de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem apresento frutos reais de apostolado e santificação pessoal.


