Por que conhecer, preferir e defender a Missa Tridentina?

Introdução

A Santa Missa é o coração da vida da Igreja Católica, sendo o sacrifício de Cristo renovado de maneira incruenta sobre os altares do mundo. 

No entanto, ao longo da história, a forma de celebração da missa passou por transformações significativas. 

Esta aula reflete sobre a diferença entre a Missa de Sempre (Missa Tridentina) e a Missa Nova, destacando a importância do sacrifício, a continuidade litúrgica e os desafios enfrentados pela Tradição nos tempos modernos.

O Sacrifício: O Centro da Religião

Desde a queda original, o homem busca religar-se a Deus, e o sacrifício emerge como o principal ato religioso. 

No Gênesis, encontramos Caim e Abel oferecendo oferendas a Deus, mas apenas o sacrifício de Abel – a destruição de algo sensível para glorificar o Criador – é aceito.

Essa prática sacrificial alcança seu ápice no sacrifício de Cristo, como descrito no Evangelho de São Mateus:

“Isto é o meu corpo… este é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Mt 26,26-28). 

A Missa Católica perpetua esse sacrifício de maneira incruenta, através da transubstanciação, fazendo com que Cristo esteja presente em corpo, sangue, alma e divindade.

A Missa de Sempre: Tradição e Desenvolvimento Litúrgico

A Missa Tridentina, codificada por São Pio V após o Concílio de Trento, é o fruto de um desenvolvimento orgânico que remonta aos apóstolos. Cada elemento, das orações ao pé do altar ao Cânon Romano, surgiu e amadureceu ao longo dos séculos, culminando na sua forma estabelecida como “a missa para sempre”. 

O papa São Pio V, ao promulgar o Missal Romano, decretou que ele seria usado perpetuamente, exceto por ritos locais com mais de 200 (duzentos) anos.

Essa continuidade garantiu que a Missa fosse reconhecida como o ato religioso perfeito, unindo adoração, propiciação, agradecimento e petição em uma única celebração.

A Missa Nova: Mudanças e Impactos

Com a introdução do Novus Ordo Missae em 1969, promovido pelo Papa Paulo VI, muitos elementos tradicionais da liturgia foram modificados, levando a debates sobre a perda do caráter sacrifical da Missa. A visão de “memorial” e “refeição” ganhou destaque, o que enfraqueceu a percepção da Missa como sacrifício.

Pesquisas indicam que essa mudança litúrgica influenciou a vivência da fé. Dados mostram que católicos que frequentam a Missa Tridentina apresentam maior adesão aos ensinamentos da Igreja, enquanto entre os frequentadores da Missa Nova há maior aceitação de práticas como contracepção, aborto e casamento gay.

A Crise Litúrgica e Moral

Os efeitos da reforma litúrgica não se restringem ao âmbito espiritual. Dom Prosper Guéranger, no início do século XX, já alertava que a perda da Missa Tradicional levaria a um declínio moral entre os fiéis, comparável ao paganismo. 

A realidade contemporânea parece confirmar sua profecia, com uma crescente secularização observada entre os católicos.

Conclusão

A Missa Tridentina não é apenas um rito; ela representa a continuidade da fé e o vínculo com a Tradição Apostólica. Proteger essa herança não é apenas preservar um rito antigo, mas salvaguardar o entendimento da Missa como o sacrifício perfeito de Cristo.

Diante dos desafios modernos, é essencial refletir sobre a riqueza espiritual e doutrinal da Missa de Sempre, buscando nela as respostas para uma vivência mais profunda da fé católica.

Bibliografia

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