A Transmissão do Episcopado em Tempos de Necessidade
O texto abaixo é a transcrição adaptada da catequese ministrada pelo Rev. Pe. Wander de Jesus Maia, em Atibaia/SP, em 27/02/2026.
As novas sagrações episcopais da FSSPX
Queridos fiéis de Atibaia,
No último dia 2 de fevereiro, recebemos uma grata e nobre comunicação do Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Durante a tomada de batina no Seminário de Flavigny, na França, o Padre Davide Pagliarani anunciou a decisão de confiar a Dom Alfonso de Galarreta e a Dom Bernard Fellay a sagração de novos bispos.
A data escolhida é preciosa: 2 de fevereiro, Festa da Purificação de Maria e da Apresentação no Templo (Nossa Senhora das Candeias), é o dia em que, tradicionalmente, os seminaristas dos quatro seminários da Fraternidade — Ecône, Flavigny, Santo Tomás (EUA) e La Reja (Argentina) — recebem a batina.
Foi um anúncio marcado por uma união profunda com a conservação do sacerdócio e a transmissão inviolável da fé católica.
O Estado de Necessidade
Embora tenham surgido vozes superficiais e críticas apressadas, o “estado de necessidade” está mais do que confirmado. Dom Galarreta e Dom Fellay já ultrapassaram a marca dos 70 anos e o trabalho apostólico da Fraternidade multiplicou-se enormemente, especialmente após a pandemia.
Para que continuem as ordenações, as crismas, a confecção dos Santos Óleos e a transmissão da doutrina, a presença de novos bispos é indispensável.
Recordamos que, em 1988, foram sagrados quatro bispos. Recentemente, sofremos perdas significativas: o falecimento de Dom Bernard Tissier de Mallerais em outubro de 2024 e, três meses depois, em janeiro de 2025, o falecimento de Dom Richard Williamson. Sobre Dom Tissier, resta-nos o exemplo de sua humildade e espírito de sacrifício: mesmo sofrendo com dores lancinantes na coluna, nunca reclamou ou pediu alívio em sua agenda, aceitando viajar em áreas de conforto apenas por obediência expressa ao Superior, para que pudesse ter condições físicas de cumprir sua missão.
A Natureza da Tradição e a Unidade
A palavra “Tradição”, em seu sentido semântico mais profundo, significa “entregar”. Nosso Senhor iniciou a Tradição na Cruz, antecipando-a na Última Ceia, entregando-se a si próprio.
A missão da Igreja e da Fraternidade é entregar o que Nosso Senhor entregou: o Credo, o sacerdócio e os sacramentos. Sem bispos, essa transmissão última do sacerdócio é impossível.
As sagrações ocorrerão em Ecône, no dia 1º de julho de 2026. Dom Alfonso de Galarreta será o sagrante principal e Dom Bernard Fellay será o consagrante. Esta cerimônia manifestará a unidade de inteligência e vontade garantida por Nosso Senhor, que não é uma mera operação humana ou política.
O Contexto de Crise e a Fidelidade
Vivemos dias de anarquia e traição, onde o depósito da fé parece abandonado por muitos que deveriam guardá-lo. Vemos ataques à honra da Santíssima Virgem e uma desfiguração da doutrina.
Diante disso, o Superior-Geral, após consulta ao Conselho, decidiu que não havia mais tempo a esperar.
Se vierem declarações de excomunhão, elas serão inválidas e ilícitas, pois não há delito. Como afirmou um catedrático de Direito Canônico da Universidade de Salamanca, as notas de estado de necessidade e a união perfeita com o credo e a liturgia excluem qualquer tipificação de cisma.
Somos católicos, exclusivamente católicos. Estamos em paz, agradecidos a Deus por esta obra providencial. Que venham as tempestades. Permaneceremos fiéis ao que recebemos.
