Fé, esperança e caridade em tempos de combate

Juliano de Henrique Mello By Juliano de Henrique Mello 22 de fevereiro de 2026

O texto abaixo é a transcrição adaptada de sermão proferido pelo Rev. Pe. Françoá Costa, em São Paulo/SP, em 15/02/2026, Domingo da Quinquagésima.


 

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

 

O apóstolo nos diz: “Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade; porém, a maior delas é a caridade” (1Cor 13,13).

No Evangelho de São Lucas, capítulo 18, vemos Nosso Senhor curando o cego de Jericó (Lc 18,35-43). O homem clama: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim.” E ao ouvir seu pedido — “Senhor, que eu veja” — Cristo lhe concede a visão. Resultado: glória de Deus e salvação daquela alma.

Fé, esperança e caridade. Essas três virtudes são participação da própria vida divina. Em Deus existem na plenitude da glória; em nós, participadas pela graça.

São três porque refletem a vida trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo (cf. Mt 28,19).

Entre elas, a maior é a caridade.

Caridade é amar a Deus como Ele quer ser amado (cf. Jo 14,15), e não como nós imaginamos. Ela é infundida por Deus. Nem o seu começo depende exclusivamente de nós (cf. Jo 6,44). Tudo é graça. Podemos dispor-nos, mas até essa disposição é movida pela graça (cf. Fl 2,13).

A caridade é a maior por dois motivos. Primeiro, porque prova nossa amizade com Deus. Se alguém comete pecado mortal, perde a caridade (cf. 1Jo 3,14-15). Pode conservar a fé e a esperança, mas sem caridade não está na amizade com Deus.

Aliás, São Paulo é claríssimo: “Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos pobres, se não tiver caridade, nada me aproveita” (1Cor 13,3). Ou seja, caridade não é filantropia; é amor sobrenatural.

Em segundo lugar, a caridade permanecerá no Céu. A fé é “a prova das coisas que não se veem” (Hb 11,1), e no céu veremos Deus face a face (cf. 1Cor 13,12). Ou seja, a fé será substituída pela visão. Por sua vez, a esperança é o desejo de possuir o que ainda não temos (cf. Rm 8,24-25), e no céu possuiremos a Deus. Mas a caridade permanecerá eternamente, pois no céu amaremos a Deus por toda a eternidade.

Teologicamente, a caridade é maior. Mas no plano prático, a fé ocupa papel decisivo. Se alguém perde a caridade, mas conserva a fé, não desprezará que pode recorrer à confissão para recuperá-la (cf. Jo 20,22-23). Mas se perde a fé, como retornará?

É por isso que a Igreja sempre zelou tanto pela integridade da fé (cf. 1Tm 6,20).

São João afirma: “O mundo inteiro jaz sob o poder do maligno” (1Jo 5,19). Diante de tanta perversão moral, confusão doutrinária e avanço do erro, essa palavra parece mais atual do que nunca. Em contraste, o maior ato de caridade da história foi o sacrifício da Cruz: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Esse sacrifício torna-se presente na Santa Missa (cf. Lc 22,19).

Para conter o avanço do mal, Deus deixou o sacerdócio e o sacrifício. Sem sacerdotes, não há sacrifício. Sem sacrifício, não há aplicação sacramental da redenção.

Santo Inácio de Loyola falava das duas bandeiras. A Escritura confirma: “Quem não está comigo está contra mim” (Mt 12,30). Santo Agostinho, igualmente, falava das duas cidades: a Deus, fundada na caridade, e a dos homens, fundada no amor desordenado (cf. 1Jo 2,15-16).

Não há neutralidade.

O mais importante é a fé, a esperança e a caridade: “Senhor, que eu veja” (Lc 18,41). Com a fé guardada, a caridade preservada e a esperança mantida, caminhamos firmes. Porque, no fim, a vitória pertence a Cristo: “Tende confiança: Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

 

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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