Sermão do Pe. Wander de Jesus Maia, no Terceiro Domingo do Advento de 2024.
“Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Meus filhos, o coração da súplica do terceiro domingo do Advento, da súplica que a Santa Igreja, em seu Divino Redentor, eleva aos céus pelo ato infinito de intercessão, que é o Sacrifício Perpétuo, consiste em que nós não percamos os fundamentos.
Que não haja essa perda! Os fundamentos, os princípios que nos estabelecem, nos consolidam e nos fortalecem. É a graça divina, acima de tudo, que opera em nós, favorecendo aquilo que São Paulo ensina: a vida sobrenatural sustentada pela persistência e pela oração incessante.
Como agradar a Deus se não permanecemos em constante cultivo da vida sobrenatural, enraizada na penitência e na oração? Se nos afastamos de Deus, tornamo-nos irreconhecíveis, perdemos nossa identidade. E isso porque somos inclinados a buscar a nossa própria vontade, esquecendo-nos de que Nosso Senhor nos alertou:
“Vigiai e orai”.
No Evangelho, Ele nos exorta a uma vigilância constante. São Paulo reforça isso hoje, ao nos chamar a uma alegria permanente no Senhor. Pois, se nossa alegria não está em Deus, onde estará? No sorriso passageiro de alguém? No ambiente contaminado pelo pecado, pela mentira e pela mundanidade? Não, meus filhos! Não nos alegremos no mundo, nas trevas ou no pecado.
Quando São João Batista começou a batizar no Jordão, ele trouxe a autoridade dos profetas, derrubando os montes da impenitência, incredulidade e injustiça contra Deus. Contudo, os fariseus, envenenados pela feitiçaria de suas próprias tradições, rejeitaram a mensagem. Nosso Senhor os repreendeu, pois, sendo intérpretes da Lei, recusaram-se a entrar no Reino de Deus e impediram outros de fazê-lo. Hoje, vemos algo semelhante: uma hierarquia idólatra e vencida, subserviente a uma religião falsificada.
Que tragédia, meus filhos, ver o demônio falando livremente, ocupando púlpitos que antes proclamavam a glória de Deus! Que assustador ouvir blasfêmias como a negação de que Jesus é sacerdote, que Ele é o Messias, que Nossa Senhora é Mãe de Deus! O demônio nunca se sentiu tão à vontade quanto agora.
E quanto a nós, filhos de Deus? Nossa alegria está em saber que o Senhor triunfará mais uma vez, que o Seu reinado se renova no mistério da Encarnação. Satanás odeia uma alma em que Cristo reina, pois uma alma assim está em paz. O reinado de Cristo começa na alma e se estende ao mundo.
Mas lembrem-se: ser católico é ser crucificado. “O servo não é maior que o seu Senhor.” Não podemos buscar a amizade com o mundo, com a carne ou com o diabo. Pelo contrário, devemos rejeitá-los. Ser católico significa odiar o pecado e amar a Deus acima de tudo. É carregar a Cruz com fidelidade.
Nosso Senhor veio ao mundo como o Logos, o Verbo que tudo ordena. Ele desceu para reordenar o que o pecado havia desordenado, para limpar o mundo de sua imundície e restaurar tudo nas mãos do Pai. Sua Cruz é nosso sinal, Sua lei, nossos mandamentos, e Sua vida, a nossa vida.
Alegrem-se, meus filhos! É o reinado de nosso Senhor que celebramos. Que Ele reine em nossas almas e em nossas vidas, conduzindo-nos ao triunfo definitivo sobre o pecado e as trevas. Cristo reina, Cristo vence, Cristo impera!
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.”