Falta de Acolhimento Pastoral em Confissão: Um Caso que Requer Reflexão

Na cidade de Recife, um triste episódio ocorrido ontem, 13/12/2024, uma “Sexta-feira 13”, diga-se de passagem, ilustra a crescente falta de zelo pastoral e de empatia que muitos fiéis enfrentam ao buscar os sacramentos, especialmente em paróquias que seguem o rito da Missa Nova.

Uma mulher, afastada da Igreja por anos, decidiu retornar à confissão em preparação para seu papel como madrinha de batismo, apenas para encontrar barreiras inesperadas que colocaram sua experiência espiritual em xeque.

A mulher, motivada pela importância do momento, enfrentava um grande desafio emocional: confessar pecados que a incomodavam profundamente há anos. Com apoio de sua filha, ela realizou um exame de consciência detalhado e se dirigiu a uma paróquia próxima para receber o sacramento. No entanto, dificuldades logísticas e falta de informações claras sobre os horários de confissão acabaram provocando um atraso de alguns poucos minutos.

Ao chegar à paróquia, já durante a celebração da missa, a mulher foi informada de que o padre que atenderia confissões já havia deixado o local. A situação levou a filha a buscar outro sacerdote, que se mostrou relutante desde o início. Segundo o relato, o padre respondeu à solicitação com rudeza, interrompendo as explicações e agindo de maneira impaciente e desinteressada. Sua postura fez com que tanto a mulher quanto sua filha se sentissem constrangidas e desmotivadas.

Apesar do comportamento pouco acolhedor, o padre acabou realizando a confissão, mas de forma apressada e fora do confessionário. A mulher, que já estava emocionalmente abalada, imagina ter recebido o sacramento, mas a experiência deixou marcas negativas. Sua filha relatou que viu a mãe retraída e desconfortável, algo incomum, pois ela é uma pessoa conhecida por ter personalidade forte.

Esse caso evidencia uma séria crise pastoral e sacramental das paróquias de Missa Nova, especialmente num contexto onde o acolhimento é crucial para reaproximar os fiéis afastados da Igreja. Infelizmente, a postura dos sacerdotes em geral parece refletir uma visão burocrática de suas funções, como se o ministério sacerdotal fosse apenas um emprego a ser cumprido dentro de um horário rigidamente estipulado.

Por que isso não aconteceria numa paróquia tradicional?

Em paróquias tradicionais, onde se celebra a Missa Tridentina, situações como essa dificilmente ocorreriam. A formação do clero em tais comunidades enfatiza o zelo pelas almas e o profundo sentido sobrenatural do sacramento da confissão. O padre não é visto apenas como um administrador de sacramentos, mas como um pastor dedicado à salvação das almas.

Além disso, a organização pastoral prioriza a confissão frequente, o que torna o acolhimento mais natural e menos burocrático. Essa abordagem reflete o espírito da Tradição da Igreja, que entende o sacramento como um ato de misericórdia divina, não como uma tarefa administrativa.

Os problemas típicos das paróquias de Novus Ordo

Por outro lado, nas paróquias de rito Novus Ordo, é comum observar uma mentalidade burocrática, onde os sacramentos são tratados mais como obrigações formais do que como encontros sobrenaturais com Deus. Isso pode ser atribuido à formação deficiente de muitos sacerdotes em espiritualidade e pastoral, além da influência de uma cultura eclesial que valoriza mais a eficiência utilitarista do que a profundidade espiritual.

O resultado é uma experiência que muitas vezes desmotiva e afasta os fiéis, especialmente aqueles que já estão fragilizados em sua fé.

O Novus Ordo: Uma falsa religião?

É importante reconhecer que o Novus Ordo, na medida em que se distancia da Tradição bimilenar da Igreja, apresenta características que o tornam uma deturpação do autêntico catolicismo. A “reforma” litúrgica que deu origem ao Novus Ordo introduziu elementos que diluem o senso do sagrado e enfraquecem a doutrina católica.

Muitos teólogos e fiéis observam que essa “nova missa” prioriza uma experiência comunitária horizontal em detrimento da dimensão transcendente e sacrificial do culto divino. Assim, ela contribui para uma visão de Igreja mais voltada à satisfação humana do que à adoração de Deus.

A falta de sobrenaturalidade e o afastamento das práticas tradicionais têm levado muitos a concluir que o Novus Ordo não apenas representa uma ruptura litúrgica, mas também um comprometimento com princípios que são alheios à verdadeira fé católica. A experiência narrada aqui é apenas um exemplo de como essa abordagem falha em oferecer a plena experiência do encontro com Deus, levando os fiéis ao desânimo e, por vezes, ao afastamento.

Um apelo pela restauração da Tradição

É fundamental que os sacerdotes recordem o peso e a dignidade de sua missão. O sacramento da confissão não é apenas um rito formal; é um encontro com a graça de Deus, especialmente para aqueles que estão mais necessitados. Atitudes acolhedoras, compassivas e pacientes podem fazer toda a diferença na vida de um fiel que, muitas vezes, retorna à Igreja com medo e hesitação.

Esse episódio também aponta para a necessidade de maior formação humana e espiritual no clero. A relação com os fiéis não pode ser pautada pela impaciência ou por um cumprimento mecânico de deveres. O zelo pelas almas deve estar no centro do ministério sacerdotal, e cada confissão deve ser vista como uma oportunidade única de conduzir uma alma ao céu.

Que esse caso sirva de alerta para a Igreja em todos os níveis. O acolhimento pastoral não é uma opção, mas uma exigência do Evangelho. Não podemos permitir que fiéis sejam afastados pela indiferença ou pela grosseria de quem deveria ser um instrumento de Deus em suas vidas.

Que os sacerdotes recordem as palavras de Cristo:

“Vinde a mim, todos os que estás cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11,28).

A confissão é um momento de graça, e cabe ao sacerdote garantir que ela seja também um momento de acolhida, paz e reconciliação.

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